sexta-feira, 25 de julho de 2008

da serie auto- ajuda

saber eu não sei,
não sei ser rei.
se errei digo que sei e que já nem sei
que já me esqueci dos erros tortos,
dos mares mortos
das poças portos
deu labirintite no meu esquema e
abandonei-o grávido de dez anos
já tava oco e quando caiu foi igual folha no chão
fez: .
sobrou só o mandráculo do radinho de pilha
que o zé celso tirou do cú daquele cara
bem em cena,
aí pra não fazer feio
joguei no balde de graxa-d'água
toda a camurça que cobria minha língua. foi estúpido
guardar tudo por tanto tempo
e olha que não tinha mais do que uma moeda de ouro de dez centavos
que eu deixei ali mesmo, no chão.
e eu comendo parafuso
cagando idéia
raspando poste....
foi inútil.
o ventilador lá de casa já num tava imitando nem arnaldo antunes
vivia dentro da geladeira aquele mofo metálico graal
aquela gralha mofétida, boçal
aquele vício. foi difícil
mas transpareceu,
depois da picareta da britadeira da marreta
e daquele "ooooohhhhh, se oriente"
só sobrou a planta,
a planta a planta
e a semente

domingo, 15 de junho de 2008

sem títudo

hoje eu queria que vc me mandasse
uma mensagem via parede, labirinto
uma luz da sua cara lavada de espelho
celular pela janela sem dono
balões subindo pelo cano da cozinha
vermelhos. de mim
hoje ouvi a palavra amor mesmo
vermelhos geografia
numa tela submersa
vermelhos- ficção
como se ela não existisse antes tatuagem
vermelhos
e os riscos ficaram pelo meu corpo
como unhas que me quisessem demais.
hoje eu quis destruir o meu quarto
a marteladas
abrir o espaço duro
e deixar só
o teto
da lua
do futuro
e gotas diluídas
de chuvas e cristais

sábado, 14 de junho de 2008

sem título

o sol nasceu
a festa acabou
o mendigo decerto ainda não acordou
o galo cantou
e ainda canta
irmanando- se à manhã que se levanta
João Cabral, Caio Fernando
Eli, Drummond.
O borbond secou,
a garota deu
não pra mim
a outra sim,
o cara bateu
o outro matou
o povo cantou
e aquele bebeu
o sangue o vômito
o lixo a solidão
o outro acordou.
e nem olhou.
o amor mudou;
no japão escureceu
e aqui a luz entrou
o dia raiou.
meu amor é o mesmo
a minha mente imaginou,
meu peito desejou
e nada aconteceu.
pelo menos hoje. a noite acabou
a madrugada passou
a estrela se escondeu
o cara bebeu bebeu bebeu
e chorou
como um palhaço sem coreto
um arquiteto sem teto
um pintor sem objeto
um andarilho sem seu traje de feltro.
Cães eletrônicos latem
na minha cabeça.
isso é justo?
cães surdos que latem!
lata.
lata- infinito.
só o infinito é mensurável.

domingo, 1 de junho de 2008

início

Talvez lhe deva alguma explicaçao de te mandar palavras
pra você desconhecido,
se já comecei um dia é porque já te amava
já te amava no sol que vi na lata de orifício aberto
nos espinhos do ouriço dentro da poça de mar
a auscutar o dia a escutar seu amor sem
ao menos saber ao certo ...

sentindo fazendo o buliçar das pedras
em acumulo de sal cutâneo
sobre ti e vendo o vento
me apaixonei por momentâneo
sob o sol que escalávamos a fio
pelos teus olhos tão lindos cios
que um dia você soube o mar
a me encontrar como onda solta
a me olhar
imensidão revolta
e eu sozinho
a descobrir meus mundos
seus mundos
numa poça de beiramar
sobre a pedra só o sal
que o sol queimava
que o sol sugava
a água pra se alimentar
pra depois chover
e encher
a poça
a pedra
o mar
você